Sobre pisar as uvas e fazer o próprio vinho




nem tudo se
extinguia
no veio
manso
da memória
embriagada

restava-nos ainda
a essência das uvas
aos pés daquelas
noites vagarosas
em que
explodíamos
o riso

éramos
a [des] construção
de aromas
seculares
no exílio
distraído das
nossas línguas

éramos a carne
 - já moída -
às vésperas
de mais um dia
_____________________

Foto: Net

21 comentários:

ValCruz disse...

Delírios aqui... "éramos ainda
a essência das uvas
aos pés daquelas
noites vagarosas"

Um beijo.

Celso Mendes disse...

Poema para se sorver lentamente enquanto a embriaguez das palavras esvazia cálices.

Vou compartilhar no face: isso merece ser sorvido por mais gente que gosta de poesia. Se não for seu desejo, excluo...

beijo.

Toninhobira disse...

Um voo cada vez mais ousado na poesia de arte.A bela desconstrução para o processo divino e saboroso de vidas que espremem para a linda fusão e harmonização.Lindo demais amiga.
Meu carinhoso abraço.
Beijo.

Arnoldo Pimentel disse...

Caminhos que o tempo transforma.Beijos

Sonhadora disse...

Minha querida

A embriaguez dos sentidos...a memória dos corpos.
Como sempre adorei ler-te.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Majoli disse...

Parole, passando pra te desejar um bom feriado, um delicioso carnaval.
Beijos com carinho.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

E como um vinho,
quantos odores
habitam nossa pele,
nossa alma,
nossos sentidos,
independente
da nossa vontade...


Que sempre existam
sonhos a habitar teu coração.

Carla Fernanda disse...

E nessa mistura o amor é o resultado destilado.
Beijos amiga!!!

Ives disse...

E que aroma imortal, de vésperas eternas. abraços

Luís Coelho disse...

Nem sei se foi do vinho mas parece que entrei em delírio e foi bom.



éramos a carne
- já moída -
às vésperas
de mais um dia
_____________________

Everson Russo disse...

Que se embriaguem sempre nos sentidos do amor,,,beijos querida e uma bela segunda pra ti.

O Árabe disse...

Muito bom, minha amiga... muito bom! Excelente post! Boa semana.

Bípede Falante disse...

Feliz aquele que se deixa moer pelos braços de quem ama :)

beijoss

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um gosto ler a sua poesia.
Voltarei sempre que possa.
Saudações
Irene

Manuel disse...

O poema e a ilustração são pura magia.
Um encanto que nos inebria e nos afaga.

AC disse...

Poema forjado em uvas da melhor qualidade. Para ler devagar, degustando as palavras uma a uma...

Beijo :)

António disse...

Éramos a carne...

Um poema escrito com sentimentos do passado mas ao mesmo tempo presente...

Bjs!

Anne Lieri disse...

Muito lindo seu blog,poesias maravilhosas e bem inspiradas!Adorei!Bjs e boa semana para vc!

Mikhael disse...

...e de outro e mais outro e outro ainda.

A.S. disse...

Uma ébria sensação de aromas
se libertam das palavras
como secretos sabores
exilados nas nossas linguas!...


Beijos!
AL

Lucas Holanda disse...

Que poema
Caramenère!