f. web
[Ensaio das mãos]
não é necessário dizer-te
mas o digo mesmo assim
eu sempre te direi!
Órfã de um silêncio austero esculpido em poeira e marfim nada era maduro em mim. tinha a voz com coisas de menina e o desassossego da sede pressentida no deserto em evolução que vinha logo a frente. cedo era muito tarde para mãos tristes que depressa amolavam as nervuras da razão à memória de um rio distante sem que os pés tivessem ainda tocado o peso do chão. - simples - bastava inventar o abismo em deslumbramentos líricos para que nascessem asas na carne em fuga a voragem do destino. infinitamente lúcida ainda me dói o peso brutal do meu corpo quando no primeiro estalo dos ossos se fez noite ambígua num rasgo de luz e de sangue. ainda respirava quando uma voz me apaziguou: - cuida a memória do amor farto, a fonte inesgotável que se move em direção as tuas mãos. naquela noite mesmo choveu em mim.






